quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Poesias
Benevides emoldurado
Cai a chuva e ela desliza no asfalto
E tu, vês, sentes e fotografas
Pessoas, ruas, vielas, sombrinhas
Em aquarelas
Cai a chuva e o vento leva pra ti
Gotas de água
Registradas atrás de tua lente ocular
Fotógrafo da Liberdade
Cidade? Benevides
Cai a chuva e numa doce tarde inebriante
Observas não o sol escaldante
Mas a chuva fascinante
Cai a chuva e nos instantes revelados
Observa-se marcado, registrado
Benevides emoldurado

Vida longa
Ao longo da vida aprendi
Que amar vale a pena
Que beijos são doces encontros de sensações
Que abraços são trocas de energias
Que no trânsito é onde estão os loucos
Que flores são essências que faltam na guerra
Que saudade é um rio profundo
Que amizade é a alegria transformada
Que amigos são anjos de carne e osso
Que o pai é a força maior da família
Que a mãe é a nossa proteção divina
Que os filhos são presentes de Deus
Que a espera é o tempo precioso
Que a ternura é um bem-querer
Que a sabedoria é dosar as emoções
Que a maternidade é o afago na hora certa
Que as profissões são caminhos de realizações
Que a dança é leveza que falta na alma
Que Maiandeua é sinônimo de liberdade
Que viver vale a pena

Anjo
Anjo misturado
Um corpo entrelaçado
Às vezes homem, às vezes anjo
Anjo misturado
Um corpo emaranhado
Inquieto, flutuante e pensante
Anjos misturados
Um corpo, dois corpos entrelaçados
Às vezes mulher, às vezes anjo
Anjos misturados
No ser embalsamado
No mar aconchegado
Anjos misturados
Às vezes mulher, às vezes homem
Que se buscam, se consomem
No entrelaçar de homem

Amar é o que me resta
Não quero pensar no quilo do feijão / O preço sobe e a tua apetite desce / Amar é o que me resta
Não quero pensar na lentidão do ser embalado pela fome de viver / Amar é o que me resta
Não quero esculpir um sorriso falso em teus lábios / Quero tua face verdadeira / Amar é o que me resta
Não quero pintar o céu de azul se as lágrimas dos teus olhos tem sido vermelhas de dor / Amar é o que me resta
Não quero emitir palavras corriqueiras se a tua vida tem sido lenta / Amar é o que me resta
Não quero aptidão na íngreme descida da escada / Quero na subida / Amar é o que me resta
Não quero a força dos fios dos teus cabelos / Quero-os todos de volta / Amar é o que me resta
Não quero a cama dura como uma pedra te causando dor / Quero uma leve que sonhes como uma menina / Amar é o que me resta
Não quero a chuva a molhar teus sonhos / Quero um sol para iluminar a tua alma / Amar é o que me resta
Não quero agulhas furando o teu corpo / Quero injetadas de ânimo no teu sangue / Amar é o que me resta
Não quero o descompromisso do Homem de branco que salva vidas / Quero apenas que curem as feridas / Amar é o que me resta / Amar é o nos resta!
(escrevi essa poesia no período q a minha querida e amável mãe estava no hospital. Deu tempo de ler p/ ela e nesse dias seguramos a emoção - disfarçamos bem)

Há um rio de saudade
Há um rio de saudade em mim ora ela é enchente ora ela é seca
Há um rio de saudade inundando meu ser
Há um rio de saudade secando os meus sonhos
Há um rio que nasce na alegria e deságua na tristeza
Há um rio que chora lentamente em direção ao mar
Há um rio de saudade em mim
Ora ela é enchente ora ela é seca
Há um rio de lágrimas que caem no poço profundo da solidão
Há um rio de lágrimas que se aventura a sonhar com o luar
Há um rio....
Há um rio...
Há um rio de saudade em mim.

Eu
Eu sou o que o tempo não explica
O que a matéria não explica
O que o sentimento não explica
Mas sei que sou como o tempo
Como a matéria e como o sentimento
Que vive todos os momentos
Desde o amanhecer
Até o anoitecer.

Arte
A arte pulsa nas veias
Nas teias do sangue do mangue
Do meu suspirar e do meu caminhar
Em ondas poliondas magnetizantes
De um criar eletrizante

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